Dia 242




 Do Hoje

De tanto me construir e destruir hoje sei que é os erros e acertos que me formam quanto humana.
O ontem se foi e deixou um legado ao hoje: me supere.
E assim os dias vão correndo...
Será que todo mundo já entendeu a diferença de viver e sobreviver?
E a diferença da briga e da luta?
E o espaço que há entre conviver e cativar?

Sabe... o tempo passa, corre, voa, se esvai.
O que eu pensava que seria, não foi.
O que jurava não querer, acabei por ter.
A vida não segue padrões, a sobrevivência que gosta de scripts.

Hoje é um daqueles dias que o ar tem aroma de liberdade,
Que dá vontade de abraçar o mundo com tanta força só pra dizer que amo o fato de estar viva.
Saudade de você, meu amor, saudade do teu abraço que me tira o folego,
Você é a minha maior expressão de liberdade.

Vamos andar por ai, ver estrelas e sorrir.
Que ninguém nos trave o riso.


Talita Bezerra do Santos

Dia 241

Definitivamente, onde está a reciprocidade nos olhares? A questão não é chegar aqui e depositar mil sentimentos em você que lê, que me lê e deixar tudo esvoaçar...
Conto histórias, vejo balões na cabeça das pessoas nas ruas, literalmente viajo! E volto... Acredito que nunca me perdi mas também, quase nunca me encontrei.
Ouço o tilintar dos talheres nos restaurantes, cabeças vazias, corações amargurados e pessoas no vai e vêm que como o metrô só descansam da meia noite às quatro da manhã... É maluco pensar nisso mas, olha caminhamos pra frente a passos largos na visão do mundo e estagnamos exatamente na reciprocidade das gentilezas.  
Isso é uma reflexão, razão pela qual eu inverti os papéis das coisas a minha volta.
 - Reflita e progrida, por favor, ato simplório e complexo mas que pode mudar mundos em um mundo.

Dia 240

Nada se descreve mais como antes, agora uma nova cidade se ergue diante dos olhares. Incessantemente, vejo tudo crescer, se multiplicar.
Não quero mais voltar, olhares revoltos a minha pessoa, nos sentimos melhores e, mais livres. Se você for como eu vai perceber que o nosso mundo interior cresce e se multiplica todo dia, se divide e se renova também. É assim que eu vou ver e conhecer mais mundos além dos que já habitam a minha prodigiosa mente...

Dia 239

Amiga? Não, essa aí é bem mais. Companheira, irmã, até um pouco mãe nós somos uma da outra, amora.
Quando eu descrevo meus alicerces ela é um. Aquela que me faz sorrir, que luta comigo, que não me abandona, definitivamente eu não podia ter ganhado presente melhor.
Aquela tarde, eu ainda estava confusa sobre algumas coisas, cheguei atrasada pra aula e sinceramente não estava querendo saber de nada. Daí você estava lá dando risada com as meninas, éramos da mesma sala e eu não queria me apegar a ninguém, porque criar laços as vezes pode machucar. Mas, me senti à vontade pra me aproximar, lembro que perguntei seu nome e a partir de então nossas vidas já não seriam mais as mesmas. Na outra semana já estava você lá sentando do meu lado e compartilhando um pedaço do seu coração comigo. Isso, eu nunca vou esquecer. Irmã de alma.
Engraçado como eu te conheço, engraçado como a gente se dá bem. E eu tenho certeza que você não deixaria eu me perder, assim como eu também não deixaria você, alias se for pra te buscar no inferno eu vou, independente das consequências.
 Porque eu sei que se o meu prédio sucumbir e tudo cair na minha cabeça eu sei, você vai me segurar, alicerce.

AMORA, eu te amo!
 

Dia 238

Quando mudamos é de uma vez. Será? Sabe que às vezes penso que sempre fui e serei criança, não que eu sinta aquela saudade toda, mas porque eu aproveitei bastante essa minha época e acho que passei pelo que tinha que passar. Ser criança no sentido de não perder os sonhos, a imaginação. E daí a sua lembrança da minha pessoa pode ser aquela da "menina sonhadora feliz cabeça-de- vento", e que por não saber sempre... questiona, como uma criança de 6 anos pronta pra descobrir o mundo dos cruéis. 
É impossível na minha concepção mudar de uma vez, é impossível jogar a poeira pra longe assim "do nada".
Até hoje gosto de contos infantis mas não aqueles das princesinhas, por que meu mundo é um sonho real mas que eu ainda preciso idealizar. O que mais me admira é ver como os adultos são imaturos e como os doutores da lei ora, não sabem o que é o verdadeiro ato de amar... 
E daí a lembrança que vai fixar em você sobre mim pode ser aquela da "menina sonhadora feliz cabeça-de-vento", que se fascina com o ilusório, mas que luta mesmo é pelo real e palpável. O amor é real quem não aprende a amar mesmo são os adultos e essa opinião eu nunca vou alterar em mim.

Dia 237

'Temo a eternidade'. E me disse uma velha senhora, enquanto estavamos ali sentadas no banco lustroso de tão gasto, daquela praça de esquina com uma rua. Banco esse no qual eu gosto muito de sentar para ler..
Engraçado como as frases ficam na nossa cabeça e como o rosto de quem as pronuncia também. 'Temo a eternidade'... Nem sei o nome dela, mas resolvi perguntar o por que. - Por que a teme, senhora? Ela disse então: - Porque, ela parece algo bom, é como mascar um chiclete por exemplo. Já notou como eles não têm fim? Uma pastilha cor de rosa que se desgasta e vai se transformando em uma massa, grudenta e cinzenta sem gosto de nada. Mas nunca se acaba. A eternidade deve ser um pouco assim também, por isso à temo. 
Voltando pra casa viajei nessa de: 'temo a eternidade' . E vi, que tem sentido... 
Então, comecei a viver um dia de cada vez e não mais encontrei a senhora, ela concerteza foi parar em algum lugar dessa tal eternidade que ela soube definir tão bem pra mim e a qual tanto temia. 
Engraçado como as frases ficam na nossa cabeça e como o rosto de quem as pronuncia também...

Dia 236

Um dia, uma tarde ou uma noite, não importa. Que eu te faça sorrir, foi o que eu pedi em prece aos anjos. Mesmo de longe, mesmo tão perto, mesmo quando tudo for um vazio. Lembre-se: Alguém ainda vai olhar para o céu ao mesmo tempo que você. No outono, na primavera à qualquer estação... Que seja verão e faça calor dentro de você. Um dia, uma tarde ou uma noite, não importa. Eu sei que posso te fazer sorrir.

Dia 235

Como tudo na vida o mar sempre vem e vai pronto a lavar tudo e desatar os resquícios desses sentimentos. E aqui não existem eu-líricos. À quem eu digo isso realmente existe.
É um nó o que me restou, nota? Você deve mesmo estar muito ocupado pra se preocupar; Aliás quanto tempo você parou pra olhar sem cabresto ?
Hoje, o mar vem disposto a tirar de mim o que sozinha eu já não sei se sou capaz. 
De bagagens prontas, fui viver sem cabresto...

Dia 234


Dia 233

Um guarda-chuva altamente capaz de nos proteger... E essa era a parte da história que eu soltava aquele riso livre da culpa que o mundo costuma jogar nas nossas costas. Depende, eu tenho mesmo que te pedir pra ficar? E se for só pra sempre, será que ganho a nossa aposta? Eu me perco e me encontro num mesmo impasse. Lembra quando eu deixei você guardando a chave do meu mundo?! 
Debaixo desse guarda-chuva o mundo foi singular, colidiram-se lábios e as mãos. 
E essa era parte da história que eu ria quando você contava...

Dia 232

Vou pincelar a vida com novos acontecimentos... 
Se quiser me entender: Leia as entre linhas dos meus olhos.

Dia 231

Eu queria que alguém mudasse o mundo por mim. Na verdade, eu um dia vou mudar o mundo por alguém, eu sei. E se eu cair, quem vai tirar meus pés do chão? Será que é tão complexo esse meu mundo, que eu não seja capaz de dividi-lo com alguém? Queria que as surpresas da minha vida estivessem todas bem guardadas numa gavetinha de realejo, assim quem sabe estaria mais preparada. 
Não vou me desequilibrar agora, nem nunca. Mas se eu cair, quem vai tirar meus pés do chão?!

Dia 230

Queria dizer tanto sobre tudo e sobre mim hoje mas, vou só ficar aqui. Diz aí o que você quer que eu seja e então, eu serei...
Não tenho medo apesar de às vezes fugir. 
Sou assim simples mesmo. Posso torvelinhar como uma folha ao vento, dançar como uma majestosa bailarina ou posso ser... eu. 
  Valorizo o que há do lado de dentro porque o por fora a terra leva embora.
Engraçado como falar da gente não é fácil e que não deveria ser assim. Eu estou aqui rindo e caçando palavras pra não me calar, mas eu ainda prefiro os olhares; os seus de preferência. Na ausência deles? Escrevo. 
Tenho esse certo dom de ordenar em singularidade o sentimento. Essas coisas que os números e estátisticas do mundo não provariam nos cálculos absurdos da nossa existência. 
 Posso ser o que você quiser, posso ser o nada e o tudo, posso ser o que sua imaginação permitir, o dito pelo não dito, o que você 'der asas'.
Eu não penso em ser uma pessoa grande, cheia desses sonhos que todos os homens têm. Eu quero ser sim uma grande pessoa por que o que eu desejo cabe aqui na palma da minha mão. Queria dizer muito, mas me conheça e desmistifique você.
E quando tudo correr contra mim uma certeza você já tem, vou sumir, correr mas, retornarei renovada.
Afinal o que você quer mesmo que eu seja no seu mundo?
 Na ausência dos seus olhares, escreverei...

Dia 229

Minha mente é como a lente de uma câmera, cada parada pra pensar uma lembrança. Sorri outro dia mesmo ao me lembrar de como não mudei desde o dia em que conheci você. Subjetivo ou não, montei um filme, juntando fatos e criando cenas que poderiam ser fotografadas. 
O meu silêncio é capaz disso.
Porque meu bem veja, eu posso ser o que eu quiser. Se eu parar pra pensar tudo já foi fotografado, inclusive o que você não queria que fosse.
Subjetivo ou não, minha mente é como a lente de uma câmera que tem o fantástico dom de captar os diversos translados da alma.

Dia 228

A mesma estrada de onde parti. Notei como tudo está mais florido por aqui, minha vida já não é mais a mesma, conquistei amigos e fui fielmente conquistada. Aprendi, ensinei, sorri e me emocionei. As palavras sumiram e só me restou uma voz rouca de tanto gritar. Cresceram árvores também, raízes fortes, nada que o tempo vá conseguir destruir facilmente.  Agora estou procurando andar mais no acostamento, sem me arriscar, vou com cautela. Quero sentir mais do perfume das flores desse lindo lugar. E não existe fulgas imáginarias e nem pinturas de lugares pra onde eu possa realmente ir. Enfim, a mesma estrada de onde parti e eu.

Dia 227

Olhe você, o que está fazendo aí que não foi dar um abraço em quem você ama? Desarme as mãos e o coração, você me parece tão pesado caro amigo. Que tal exercitar mais a escuta? Que tal ouvir uns doidos por aí e ver que essa sua cara feia não vai mudar nada na sua doce jornada diária? A gente só pode ajudar alguém quando quer se ajudar também. Priorizar as atitudes, se conscientizar dos fatos e desarmar tudo o que antes esteve trancado e sem alcance. Eu vou continuar te examinando ao longe, por que é observando e se enxergando no local correto e se aprende. Vá ouvir uns doidos por aí, exercite a escuta. Priorize as atitudes e não jogue fora os sentimentos...
Dê um abraço em quem você ama!

Dia 226

Todos os erros que passaram, são lembranças de como me arrebentei não querendo o mal das pessoas. E cadê aquele pessoal todo que batia no meu ombro dizendo: Hey, você é importante pra mim; Cadê? A verdadeira felicidade só pode ser realmente entendida quando alguém esvazia o nosso coração e enche de valores que não são aqueles que a sociedade nos impõe. Sabe, quando você abre seu coração feito porta, feito ponte pra algum sonhador vir te encontrar? Existem respostas que nunca poderão ser entendidas, nem mesmo pelo ser mais sabido do universo. Digo universo, porque o mundo é pequeno demais pra quem sabe voar.... 
Todos os erros que passaram eu não quero apagar e mesmo que eu me arrebente de novo, eu jamais vou querer o mal das pessoas. Esvaziei!

Dia 225

São Paulo, 12 graus e eu. Eu poderia dizer você, mas eu quis me referir a mim mesmo. Citar grandes literários aqui não fariam de mim melhor nessa noite fria então, resolvi parar numa cafeteria no centro de São Paulo. Abri meu pequeno livro, aqueles edição de bolso, era um dos bons de poesias e veja que nem gosto tanto assim de poemas, peguei esse na minha estante por impulso. Era um do nosso amigo Mário Quintana. Tinha dois ou três freguêses sentados ao meu redor se entre olharam e me olharam de relance, estranhei e me voltei pro livro.... Ah Mário, engraçado como você e a linda Clarice me compreendem, seja na intensidade com que escrevo ou nas coisas da vida mesmo. Da minha vida. E certas coisas são utópicas mas eu sei que num singelo verso meu pensamento alcançou e voltou com um pouco mais de coragem pro meu repolsar. São Paulo 12 graus e Mário, sim o cara tirou o que meus olhos transbordariam pra qualquer um nessa noite no centro mas, que só ele pode entender utopicamente numa edição de bolso... Porque ele me contou um segredo:

" O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você."
 -Mário Quintana.

 São Paulo, um café e eu. Agora com o coração um pouco mais quente.


Dia 224


Dia 223

E eu posso aprender a falar algumas línguas antigas, sei que minhas escolhas vão colorir tudo o que eu fizer.
Você reparou como as paredes da nossa cidade estão desmoronando? Os homens alimentam-se demais de cobiça e orgulho. E nossa fraqueza conhece bem a nossa pavorosa voz. Esse banco solitário e mil corações falsos. 
Se lembra como éramos felizes e como tudo era bem mais quente aqui?
Agora o que resta é uma mente estoica e um coração sangrando. As paredes da nossa cidade estão desmoronando! 
Eu só quero saber onde posso achar pessoas como você? Em algum lugar retrogrado? Irei aprender a falar algumas línguas antigas se necessário, pois minhas escolhas veja, vão colorir tudo o que eu fizer. E mesmo que as paredes dessa cidade desmoronem como na Babilônia, vamos olhar para cima depois que tudo cair e notaremos que esse amor não vai quebrar os corações e sim descartará os medos e é por isso que eu continuo com tudo o que tenho. A nossa fraqueza conhece bem a nossa pavorosa voz. Esse banco solitário e mil corações falsos, e a cidade costumava ser mais quente nessa 'bela época.'